[Resenha]: Querido John (Nicholas Sparks)

18:27


Título: Querido John
Autor: Nicholas Sparks
Editora: Novo Conceito
Páginas: 288
Nota: 3 de 5

Sinopse: “Querido John”, dizia a carta que partiu um coração e transformou duas vidas para sempre.
Quando John Tyree conhece Savannah Lynn Curtis, descobre estar pronto para recomeçar sua vida. Com um futuro sem grandes perspectivas, ele, um jovem rebelde, decide alistar-se no exército, após concluir o ensino médio. Durante sua licença, conhece a garota de seus sonhos, Savannah. A atração mútua cresce rapidamente e logo transforma-se em um tipo de amor que faz com que Savannah prometa esperá-lo concluir seus deveres militares. Porém ninguém previa o que estava para acontecer, os atentados de 11 de setembro mudariam suas vidas e do mundo todo. E assim como muitos homens e mulheres corajosos, John deveria escolher entre seu país e seu amor por Savannah. Agora, quando ele finalmente retorna para Carolina do Norte, ele descobre como o amor pode nos transformar de uma forma que jamais poderíamos imaginar.



Comentários


“É a mesma coisa. Paixão é paixão. É o entusiasmo intercalando o espaço do tédio, e não importa a que se dirige” 
Página 65


De antemão devo esclarecer que não faço parte dos fãs do Sparks. Não que não goste do autor, mas só havia lido até então ‘Um Amor pra Recordar’ o qual achei muito meloso e no geral não gostei. Sendo assim, vocês poderiam me perguntar o porquê de ter lido outro livro dele se tive uma primeira experiência negativa. Bem, primeiro acredito a gente não deve julgar um autor com uma produção tão vasta como o Nicholas apenas por um livro e segundo, eu vi um cena (isso mesmo apenas uma cena) da adaptação cinematográfica de ‘Querido John’ - foi o suficiente para me deixar intrigada - e ao invés de ver o filme todo, resolvi ler o livro. 

Até o momento, ainda não sei dizer com precisão se gostei ou não do livro. Talvez tenha acontecido um pouco das duas coisas, mas ao terminar a leitura uma das primeiras coisas que me veio à cabeça foi o verso “nem sempre é so easy se viver”, cantado por Lulu Santos diversas vezes.

A narrativa está ambientada nos anos 2000 e logo no início conhecemos um pouco da história de John Tyree, narrador personagem, que cresceu na Carolina do Norte e teve uma adolescência conturbada até resolver se alistar no exército. Abandonado pela mãe ainda na infância, John cresceu sob os cuidados do pai o qual descreve como frio e distante e cujo único real interesse era por moedas antigas. Durante a licença de suas atividades, ele retorna a sua cidade natal, Wilmington, e conhece Savannah – uma universitária que estava na cidade em função de um trabalho voluntário.

John e Savannah são apresentados de maneira casual na praia e a partir do primeiro contato começam se aproximar. Os dois se apaixonam e vivem esse amor durante as duas semanas em que John está de licença. Neste período, os personagens desenvolvem um afeto ingênuo que tem que enfrentar o desafio da distância e do tempo quando chega o momento em que John retorna a base militar.

Como artifício para driblar a distância física, os dois passam a se comunicar por cartas. As primeiras e mais frequentes, tinham a leveza e o encantamento do início do amor e exalavam a certeza de que apesar dos pesares tudo ficaria bem. Havia também a contagem regressiva para o reencontro tão sonhado. Com o passar do tempo e com a continuidade inesperada das atividades de John no exército, as cartas se tornam mais escassas e menos detalhadas, como que escritas por obrigação ou sem os mesmos lampejos amorosos que outrora. Até que o relacionamento do casal, que tinha a palavra escrita como termômetro, tem uma virada brusca.

Mesmo tendo a impressão de que o livro estaria centrado no casal, acredito que a relação de John com o pai roubou a cena e se tornou para mim a razão de ter efetivamente gostado do livro. Isso se deve, primeiro, ao fato de que, como já comentei aqui, não gosto de histórias melosas e desses amores carregados de açúcar e de clichê, e segundo porque a relação, entre pai e filho, apresentou uma evolução ao longo da narrativa. E foi uma evolução linda, capaz de deixar o romance como coadjuvante nessa história.

O personagem de John mostrou - por meio de sua convivência com o pai - um verdadeiro amadurecimento e se tornou mais complexo ao longo do livro. Passa da incompreensão da personalidade distante até o entendimento e o esforço de tentar fazer parte do mundo particular de seu familiar mais próximo. A relação dos dois, que iam se aproximando a cada licença de John, foi capaz de me emocionar e é o motivo pelo qual recomendo este livro.


“Embora soubesse que ela me amava e se importava comigo, de repente entendi que, às vezes, nem mesmo o amor e carinho são suficientes. Eles eram os tijolos de concreto do nosso relacionamento, mas também eram instáveis sem a argamassa do tempo compartilhado”.
Página 180





Érika Rodrigues

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9 comentários

  1. Olá Érika, tivemos a opinião semelhante para esse livro, também fiquei em dúvida sobre qual nota classificá-lo, pois, embora tenha gostado ainda não me contentei com o fim da história. Realmente o relacionamento de John com o pai foi o destaque de tudo e o amadurecimento dele foi muito bem explorado. Essa não é a minha obra preferida do autor, há outros melhores e que não visam tanto o romantismo puro, mas no geral o aprecio. PS - Esse último quote foi o meu preferido ^^. Abraços!

    De Frente com os Livros

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    1. Oi Clóvis! Depois do clube do livro do Sparks coloquei 'Um homem de Sorte' e 'Um Porto Seguro' na lista =D
      Quem sabe estas obras não me ajudam a conhecer um pouco mais sobre o autor.

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  2. Bom eu li esse livro, eu amo o filme mas o livro me deixou chateada, sei lá, eu não consegui ter aquele clímax com ele. Mas fazer oque né... Mas mesmo assim, é uma história boa e bonita. Beijos e ótima resenha.

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    1. Oi Isa! Também achei a história legal, embora o romance entre John e Savannah não tenha me convencido.

      Beijos.

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  3. Eu sou do time que não gosto de autor, é muito meloso do tipo que se mel escorrer do livro.
    Querido John é um dos livros que li até a pagina 100 e parei, achei a historia fraca e em pouco mais de 100 paginas não fiquei convencida de que devia continuar lendo.

    http://amolivrosdeverdade.blogspot.com.br/

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  4. Finalmente encontrei um tempinho para ler sua resenha com calma. Bastante clara e objetiva como sempre, Érika. Eu lembro de ter gostado bastante do livro na época que li por dois motivos: a relação a princípio complicada entre John e seu pai, e o fato do amor entre John e Savannah terem resistido tanto tempo (mesmo que através de um meio de comunicação nada acessível, mas igualmente lindo e romântico, hahahaha). Essas duas vertentes me emocionaram, mas concordo contigo quando você diz que a relação entre pai e filho roubou a cena, deixando o romance em seguindo plano. Essa foi uma excelente jogada do Nicholas.

    Um abraço!
    http://universoliterario.blogspot.com/

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    1. Oi Fran! Então, como não sou do time do 'mimimi' achei o início do romance muito repentino. Para mim a cereja do bolo do livro foi mesmo a relação entre pai e filho.

      Beijão.

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  5. Amei sua resenha de verdade mt boa assim como o blog parabéns!

    http://estante-literaria.blogspot.com.br/

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