[Resenha]: A última carta de Amor (Jojo Moyes)

16:13

Título: A última carta de amor
Autora: Jojo Moyes
Edição: 1a
Editora: Intrínseca
Páginas: 384
Nota: 5 de 5


Sinopse: Londres, 1960. Ao acordar em um hospital após um acidente de carro, Jennifer Stirling não consegue se lembrar de nada. Novamente em casa, com o marido, ela tenta sem sucesso recuperar a memória de sua antiga vida. Por mais que todos à sua volta pareçam atenciosos e amáveis, Jennifer sente que alguma coisa está faltando. É então que ela descobre uma série de cartas de amor escondidas, endereçadas a ela e assinadas apenas por “B”, e percebe que não só estava vivendo um romance fora do casamento como também parecia disposta a arriscar tudo para ficar com seu amante. 

Quatro décadas depois, a jornalista Ellie Haworth encontra uma dessas cartas endereçadas a Jennifer durante uma pesquisa nos arquivos do jornal em que trabalha. Obcecada pela ideia de reunir os protagonistas desse amor proibido — em parte por estar ela mesma envolvida com um homem casado —, Ellie começa a procurar por “B”, e nem desconfia que, ao fazer isso, talvez encontre uma solução para os problemas de seu próprio relacionamento. Com personagens realísticos complexos e uma trama bem-elaborada, A última carta de amor entrelaça as histórias de paixão, adultério e perda de Ellie e Jennifer.

Comentários

“Os jovens não tem o monopólio dos corações partidos, sabe. – Ela começa a descer a trilha devagarzinho, e não dá mais para ver o seu rosto. O silêncio antes que ela fale de novo faz cair uma pequena lágrima no coração de Ellie. – Aprendi uma coisa há muito tempo: o se é um jogo muito perigoso mesmo.” 
Página 337


A obra de Jojo Moyes foi uma grata surpresa para mim. Por não ser adepta da leitura de sinopses, sabia pouco sobre o que o livro iria tratar. Mas a julgar pelo título imaginei que seria o romance mais água com açúcar que já li. Posso dizer que nesse aspecto minhas expectativas não foram atendidas e isso foi bastante positivo. A Última Carta de Amor apresenta uma narrativa inteligente e bem estruturada sobre as aventuras e as desventuras amorosas, e traz como pano de fundo as mudanças na linguagem do amor.

No prólogo conhecemos Ellie Haworth, uma jovem jornalista que trabalha na editoria de reportagens especiais do Nation, jornal inglês, e que está amorosamente envolvida com um homem casado, John. As dificuldades da sua vida amorosa acabam influenciando o rendimento de Ellie no jornal, e esta é encarregada por sua editora a produzir uma grande reportagem a partir de algum material do arquivo a fim de mostrar sua dedicação ao trabalho. Durantes suas pesquisas nas edições antigas do Nation, Ellie acaba encontrando uma carta de amor sem muitas informações sobre o destinatário e assinada apenas por “B”.

A partir desse ponto o livro nos leva a década de 1960 e conhecemos Jennifer Stirling. Jennifer é uma típica mulher da alta sociedade londrina do início dos anos 60, casada com um homem rico, Larry, esta vive de promover festas e eventos sociais. No entanto, após sofrer um acidente de carro, Jennifer tem perda temporária da memória e não consegue mais se reconhecer nem se enquadrar na vida que costumava levar.

Durante uma das tentativas de estimular suas lembranças e recordar de sua vida, Jennifer encontra uma carta endereçada a ela, mas escrita por outro homem que não seu marido. Como também não conseguia se lembrar de que tinha um amante e nem quem era essa pessoa, passa a se dedicar a tarefa de descobrir a identidade do “B”.  

O que se segue é um verdadeiro quebra-cabeça temporal até que as duas histórias se cruzem. Confesso que demorei um pouco para perceber que a sequência dos acontecimentos não era linear, mas isso não impediu o entendimento da história. Também não consegui simpatizar com a personagem de Jennifer até os últimos capítulos. Isso porque me senti bastante incomodada com algumas de suas atitudes egoístas e até mesmo a forma como ela conduzia o relacionamento com Larry.

Apesar das duas protagonistas estarem envolvidas em relacionamentos extraconjugais, esse não é o foco da narrativa. A história construída por Jojo Moyes não se atem a questões morais que envolvem esse tipo de relação, sua atenção está voltada para os sentimentos. O livro é sobre os sabores e os dessabores das relações amorosas, passa pelas alegrias, pelas tristezas, pela culpa, por desencontros e faz um paralelo com as mudanças na linguagem do amor a partir das cartas recebidas por Jennifer e dos torpedos que eram enviados a Ellie.

A história é dividida em três partes e apresenta narração em terceira pessoa, fato que ajuda muito no movimento de compreensão dos personagens a partir de uma perspectiva mais ampla. O projeto editorial é outro ponto positivo do livro. O início de cada capítulo apresenta um trecho verídico de uma carta, torpedo ou e-mail sobre términos de relacionamentos.

Recomendo demais o livro até para o menos românticos como a que vos escreve. O modo inteligente como a autora aproxima as duas histórias de amor separadas por 40 anos e a forma pouco melosa com que tratou do tema sem deixar de lado o romantismo são motivos a mais para gostar da narrativa.


“– Mas não existe perdão para pessoas como nós, Ellie. Você pode vir a descobrir que a culpa tem um papel muito maior no seu futuro do que você gostaria. Dizem que a paixão arde por uma razão, e, quando se trata de casos, os protagonistas não são os únicos que saem machucados.” 
Página 336


Érika Rodrigues

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11 comentários

  1. Érika, já ouvi comentários muito positivos no twitter a respeito desse livro, mas, sinceramente, eu não sabia sobre qual era o foco exato da trama. Acho até que é a primeira vez que leio a sinopse de fato, além de comentários tão bem construídos. Fiquei muito intrigada com a estrutura da obra, e confesso gostar muito de enredos que trabalham com duas histórias paralelas. Enfim, parece ser mesmo muito bom (e não tem romance meloso e nem nada *___* isso é ótimo! HAHAHAHA)... engraçado que há duas semanas eu ganhei esse livro, e a empolgação acerca da leitura aumentou bastante após sua resenha. Muito bom!!!

    P.S.: Fico extremamente feliz por sua aprovação. :D


    Um abraço!
    http://universoliterario.blogspot.com/

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    1. Oi Fran!!
      Fiquei muito envolvida com a narrativa desse livro e acredito que você também irá gostar =D
      Também estou ansiosa para ler a outra obra da Jojo (ela escreve muito bem).

      p.s: Quando fizer a leitura a gente troca figurinhas ^^

      =*

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  2. Olá!! Tudo bem!
    Eu te indiquei para um selinho! [Selo: The Versatile Blogger]
    http://letrasgregas.blogspot.com.br/2013/10/selo-versatile-blogger-award.html#more
    Passa lá pra ver as regrinhas!
    Bjosss

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  3. Esse livro é famoso e sou louca para ler! Viseu recado lá no skoob, e já estou seguindo! Beijos! eujaliesselivro.blogspot.com.br

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  4. Ahh que gracinha de livro, já ouvi falarem muito dele, gostei da resenha. Tá na lista pra ler :)
    Adorei o blog, estou seguindo, obrigado pela indicação do skoob. :)

    Bjs bjs Mih!
    Paradise Books

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    1. O livro é mesmo uma graça Francielle! Obrigada por fazer parte do Relicário =)

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  5. Que bacana seu blog ^^ Visitei alguns hoje e o seu foi o único no qual li um post inteiro. Gostei da resenha tb, parabéns.
    Já conhecia o livro pela capa, mas nunca havia parado pra ler alguma crítica dele e confesso que me interessou. Leria com certeza.
    Bjss
    sete-viidas.blogspot.com

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    1. Oi Monique!! Que bom que gostou do Relicário *-*
      Também não conhecia muita coisa sobre essa obra e ela me surpreendeu e se tornou uma das melhores leituras do ano =)

      beijo

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  6. Olá!
    Adorei o post e o seu blog.
    Estou doida para ler este livro!
    Cheguei aqui através do selinho de Jovens Blogs.
    Já estou te seguindo! =)
    Beijos

    Aline
    www.literalizandosonhos.blogspot.com.br

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