[Resenha] : O Sorriso das Mulheres (Nicolas Barreau)

15:00

Título: O Sorriso das Mulheres
Autor: Nicolas Barreau
Edição: 1a
Editora: Verus
Páginas: 238
Nota: 3 de 5

Sinopse: Aurélie Bredin é a jovem e sensível proprietária do restaurante Le Temps des Cerises, no coração de Paris. Foi ali, no pequeno e romântico restaurante, que seu pai conquistou o coração de sua mãe, graças ao famoso menu d'amour. E foi ali, rodeada pelo aroma de chocolate e canela, que Aurélie cresceu e encontrou consolo nos momentos difíceis da vida. Mas agora, depois de uma decepção amorosa, nem sequer a calidez acolhedora da cozinha é capaz de confortá-la.
Uma tarde, mais triste do que nunca, Aurélie se refugia numa livraria, onde se depara com um romance intitulado O Sorriso das Mulheres. Intrigada, ela começa a ler o livro e percebe que a protagonista é inspirada nela e que seu restaurante é um dos cenários principais.

Surpresa, Aurélie decide entrar em contato com o autor – um misterioso e recluso inglês -, mas essa não é tarefa fácil. Ela não desiste e quando finalmente consegue conhecer o escritor, esse encontro se revela bem diferente daquele que ela havia imaginado.

Comentários:

É sempre muito difícil e até um pouco desonesto ler alguma coisa quando se está tomado por uma grande expectativa. Apesar de não conhecer o autor de O Sorriso das Mulheres e de não ter lido nenhuma crítica a respeito, a proposta do livro me conquistou logo de cara.

É muito lúdico para os leitores ou leitoras se imaginarem como protagonistas de uma história ou por vezes pensar que aquele autor aparentemente tão distante foi capaz de colocar em palavras experiências tais como você a vivenciou. E foi mais ou menos assim que a mocinha da história, Aurélie, deparou-se com o mundo dos livros.

Após vivenciar uma desilusão amorosa, Aurélie vaga sem rumo pelas ruas de Paris e entra ocasionalmente em uma livraria. E por uma dessas coincidências do destino acaba se interessando por um livro cuja protagonista e o cenário retratado era incrivelmente parecida com ela e com seu restaurante, respectivamente. Intrigada com as semelhanças, ela decide comprar o livro e o lê ferozmente durante o resto da noite e madrugada. Convencida de que é a musa da história narrada por Robert Miller, Aurélie inicia uma saga em busca de informações e quem sabe um possível encontro com o autor.

No desenrolar da trama conhecemos André Chabanais, revisor chefe Éditions Opale (responsável pelo livro que desacadeou toda a história), que no primeiro momento se apresenta como um entrave entre a protagonista e sua busca por Robert Miller. No entanto as artimanhas de André para afastar Aurélie do autor do livro escondem alguns mistérios.

A trama tem como pano de fundo a romântica Paris e a sua famosa gastronomia. Ambas são coadjuvantes que ditam o clima do romance. O livro é narrado em primeira pessoa, mas apresenta a visão de dois narradores: André e Aurélie.

Comentei logo no primeiro parágrafo a razão de minhas expectativas em torno dessa narrativa, mas devo confessar que as mesmas não foram atendidas. E o motivo é puro e simples: eu esperava mais. O livro segue morno até mais ou menos o décimo terceiro capítulo.

Outro fator que me causou certo incomodo se refere à personagem de Aurélie, que apesar de já ter passado dos 30 anos por vezes de comporta como uma adolescente mimada e até mal educada, o que pode dificultar uma maior aproximação e simpatia por parte do leitor. Em contrapartida André nos proporciona risadas e afetos e acaba roubando a cena na maioria das vezes.

Um ponto extremamente positivo no livro de Barreau é a descrição dos ambientes. O leitor é levado com facilidade às ruas de Paris e conhece seus restaurantes e lojas. No posfácio o autor esclarece que todos os cafés, bares e restaurantes realmente existem, bem como algumas receitas que podem ser encontradas no final do livro. No entanto, o Le Temps des Cerises pertence apenas à imaginação.

Recomendo o livro para quem procura um romance leve e divertido com pitadas de mistério e com os sabores da cozinha parisiense.


Papéis sendo rasgados, palavras sussurradas, velas acesas, janelas enfeitadas, o perfume de cravo e canela, desejos que são escritos em bilhetes ou ditos ao céu e que talvez sejam realizados – querendo ou não, o Natal desperta esse desejo eterno do maravilhoso. E esse maravilhoso nada é do que se pode possuir ou conservar, não pertence a ninguém e, no entanto, está sempre ali, como algo que é dado de presente a alguém. 

Pág. 192



Érika Rodrigues

Também poderá gostar

0 comentários