Amazon Day

Comprinhas no Amazon Day

01:50


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Não sei se cheguei a comentar por aqui, mas eu tinha um plano ótimo de em 2017 comprar livros apenas da Black Friday. Na teoria era mesmo um ótimo plano, mas quem acompanha o blog e o instagram do Relicário já deve ter notado que eu sou péssima em cumprir algumas metas. E mais uma vez o espírito do consumismo literário se apoderou desse corpo e seis novos livros chegaram na minha estante em julho.

Para quem não está por dentro o Amazon Day aconteceu em julho e durou 36 horas. Praticamente todos os livros estavam com desconto, o frete era grátis para todas as regiões (independentemente do valor gasto) e ocorriam promoções relâmpago a cada duas horas.

Aqui você pode conferir os títulos e quanto paguei por cada um deles


Jane Austen: R$ 33,00


O Morro dos Ventos Uivantes (Edição bilíngue): R$ 22,10


A Morte de Ivan Ilitch: R$ 19,90


Este Lado do Paraíso: R$ 14,90


O Planeta dos Macacos: R$ 18,80

A terra e o céu de Jacques Dorme: R$ 10,90


Saldo final: R$119,60

Cecelia Ahern

Resenha: O Ano em que te conheci

22:01

Título: Como se apaixonar | Autora: Cecelia Ahern | Editora: Novo Conceito |Edição: 1 | Nota: 3 de 5 

Sinopse: Bem-vindos ao mundo imperfeito de Jasmine e Matt. Vizinhos, eles não têm o menor interesse em tornarem-se amigos e nunca haviam se falado antes. Estavam sempre ocupados demais com suas carreiras para manter qualquer tipo de contato. Jasmine, mesmo sem nunca tê-lo encontrado, tem motivos para não suportar Matt.
Ambos estão em uma licença forçada do trabalho e sofrendo com seus dramas familiares. Eles precisam de ajuda.
Na véspera de Ano-Novo, os olhares de Jasmine e Matt se encontram de forma inusitada pela primeira vez. Eles têm muito tempo livre e precisam rever seus conceitos para poder seguir em frente. Conforme as estações do ano passam, uma amizade improvável lentamente começa a florescer.




Comentários

Na última resenha que escrevi sobre um livro da Cecelia Ahern (Como se Apaixonar) confessei naquele momento que a autora tinha se tornado uma das minhas escritoras contemporâneas favoritas. Até o momento tinha lido três livros surpreendentes (P.S Eu te Amo, A Lista e Como se Apaixonar), mas de vez em quando os nossos ídolos nos decepcionam e foi assim que me senti ao ler O ano em que te conheci.

A história, dividida conforme as estações do ano, é contada por Jasmine – uma mulher na faixa dos trinta anos que perdeu o emprego e é obrigada a cumprir uma licença de um ano para não trabalhar na concorrência. Workaholic assumida, Jasmine passa a enfrentar algumas crises existenciais e de convivência com os vizinhos que ela agora começa a notar já que tem tempo de sobra para ficar em casa.

E o principal foco desses conflitos – Matt – reside na casa em frente a sua. Radialista com opiniões sempre rodeadas de polêmicas, Matt leva uma vida de excessos e costuma chegar em casa de madrugada, bêbado e causar a maior cena com a esposa e filhos. O que Jasmine, que já o antipatizava devido a um dos assuntos abordados no programa, vai descobrindo aos poucos é que Matt também está tentando lidar com os seus próprios demônios relacionados ao afastamento forçado de seu cargo na rádio e a crise em seu casamento. 

O ócio ao qual os dois estão submetidos acaba resultando em uma convivência, nem sempre pacífica, que aos poucos vai se tornando lampejos de uma amizade. Até aqui tudo bem. No entanto, o que mais me incomodou nessa história foi a quantidade de conflitos secundários que envolvem a protagonista, alguns desses (como uma relação de Jasmine com seu primo) não tem nenhum tipo de conclusão. Essa quantidade de ramificações empobreceu o eixo central – amizade entre Matt e Jasmine – e deixou a história confusa e pouco fluída. Muitas vezes tive a sensação de ler páginas e páginas que não iam me levar a lugar nenhum. Ao mesmo tempo, e me causando o mesmo incômodo, outras situações aparentemente se resolviam do nada. 

Além de me surpreender, as narrativas da Cecelia costumam me envolver e me emocionar, mas não foi o caso de O ano em que te Conheci.



Cinema

Dia do Cinema Brasileiro

22:03


Hoje, 19 de junho, comemoramos o Dia do Cinema Brasileiro. A data foi escolhida em homenagem ao dia em que Afonso Segreto (primeiro cinegrafista e diretor do nosso país) registrou, em 1898, as primeiras imagens em movimento no Brasil. No entanto, muita gente prefere celebrar o cinema nacional no dia 5 de novembro, data em que ocorreu a primeira exibição pública de cinema em nosso país.

Controvérsias à parte, o fato é que o cinema brasileiro apresenta uma ampla expansão, tanto em nível de produção como em distribuição, um exemplo recente foi o sucesso internacional de Aquarius - dirigido por Kleber Mendonça. Mesmo ainda tendo um longa estrada para conquistar principalmente o público nacional existem produções excelentes desenvolvidas por aqui e em virtude da data comemorativa, decidi compartilhar alguns dos filmes nacionais que mais gosto

Apenas o Fim

Estudante universitária decide terminar com o namorado e fugir para lugar desconhecido. Antes, porém, eles se encontram e em apenas uma hora reveem momentos do passado e imaginam o futuro de maneira bem divertida.

Data de lançamento: 11 de junho de 2009

Direção: Matheus Souza







Feliz Natal
Caio, um homem de 40 anos, tenta uma reaproximação com sua família problemática perto do Natal. A mãe é alcoólatra, o pai o rejeita e o irmão está em crise no casamento. Em meio a isso tudo, ele reflete sobre sua própria existência.

Data de lançamento: 21 de novembro de 2008

Direção: Selton Mello









Cinema, Aspirinas e Urubus


Em 1942, no meio do sertão nordestino, dois homens vindos de mundos diferentes se encontram. Um deles é um alemão fugido da 2ª Guerra Mundial, que dirige um caminhão e vende aspirinas pelo interior do país. O outro é um homem simples que sempre viveu no sertão e que, após ganhar uma carona de Johann, passa a trabalhar para ele como ajudante. Aos poucos surge entre eles uma forte amizade.

Data de lançamento: 11 de novembro de 2005

Direção: Marcelo Gomes






O Homem do Futuro


Zero é um cientista ridicularizado cuja última invenção o levou ao passado, lhe dando a chance de refazer sua vida. De volta à época de faculdade, ele reencontra Helena, sua paixão, mas acaba interferindo em acontecimentos do futuro. Agora, Zero precisa consertar o futuro sem perder Helena de novo.

Data de lançamento: 27 de agosto de 2011

Direção: Cláudio Torres






Bicho de Sete Cabeças


O relacionamento entre Wilson e seu filho Neto está cada vez pior. A situação entre os dois chega ao seu limite, até que o pai decide internar o filho em um manicômio, onde o rapaz enfrenta condições terríveis de tratamento.

Data de lançamento: 22 de junho de 2001 (Brasil)

Direção:
Laís Bodanzky








Que horas ela volta?

A pernambucana Val se mudou para São Paulo com o intuito de proporcionar melhores condições de vida para a filha, Jéssica. Anos depois, a garota lhe telefona, dizendo que quer ir para a cidade prestar vestibular. Os chefes de Val recebem a menina de braços abertos, porém o seu comportamento complica as relações na casa.… Mais

Data de lançamento: 2015

Direção: Anna Muylaert







Música

Playlist: One love Manchester

22:57



Neste domingo, 4 de junho, a cantora pop Ariana Grande voltou a Manchester para realizar um show beneficente a fim de angariar fundos para as famílias das vítimas do atentado terrorista que aconteceu em maio na saída de uma apresentação da artista na cidade. O show foi lindo, emocionante e repleto de participações especiais como: Coldplay, Justin Bieber, Katy Perry, Black Eyed Peas, dentre tantos outros.

Como mensagens de paz, amor e humanidade nunca são demais, a playlist do mês é dedicada a algumas performances de “One Love Manchester”.


















indicações

Indicação literária: A vida Privada das Árvores

00:24


Antes de começar a falar da indicação literária devo justificar minha ausência já que o blog passou praticamente três meses sem ser atualizado. A grande questão é que está sendo muito complicado conciliar as minhas atividades do mestrado com qualquer outra coisa na vida; e essa falta de tempo e de disposição acabou se refletindo aqui. Mas estou tentando me organizar para postar pelo menos uma vez por semana afinal eu adoro esse cantinho. Então, vamos conversar sobre o Alejandro Zambra?!

A Vida Privada das Árvores foi o segundo livro que li do autor (também já li Bonsai) e gostei bastante da narrativa e principalmente da forma como o autor nos conta essa história. O livro relata a história de uma espera. Nele, Julián, um professor de literatura e aspirante a escritor, aguarda a chegada de Verónica, sua mulher. Mas ela não chega e a espera se alonga. Junto com a enteada, a pequena Daniela, Julián distrai as horas contando histórias de árvores para a menina. Enquanto a mulher não chega, Julián recompõe na memória seu passado e, na imaginação, inventa um futuro possível no qual sua companheira já não existe.


“Tudo bem, era sem compromisso, como deve ser: ama-se para deixar-se de amar e se deixa de amar para começar a amar outros, ou para ficar sozinho, por um tempo ou para sempre. Esse é o dogma. O único dogma.” (página 70)


Literatura

Resenha: O Xará

02:01

Livro: O Xará | Autora: Jhumpa Lahiri | Editora: TAG Experiências Literárias; Biblioteca Azul | Páginas: 344 | Nota: 5 de 5

Sinopse: Gógol Ganguli tem nome russo, sobrenome indiano e um espírito dividido. Filho de imigrantes bengalis que vivem nos Estados Unidos, enfrenta desde criança a crise típica de um tempo de fronteiras instáveis e vidas em trânsito: a de não se reconhecer em nenhuma cultura ou lugar. Em meio a um constante conflito entre diferentes modos de vida - retratados na educação, na relação com os pais, na vida profissional - , Gógol Ganguli vai buscar no embate como próprio nome e nas relações amorosas um espelho no qual possa descobrir quem realmente é.
Autora vencedora do Prêmio Pulitzer de 2000, finalista do Man Booker Prize 2013 e do National Book Award 2013, Jhumpa Lahiri se consagra como um dos maiores destaques da nova literatura de língua inglesa.





Comentários

Quais são as fronteiras que nos definem? Que experiências nos moldam? Que memórias ficam impregnadas em nós? O que é nosso? O que herdamos? Quantas viagens são necessárias para nos encontramos? Em O Xará, Jhumpa Lahiri sutilmente escancara a jornada de Gógol em busca de sua identidade a partir do embate com o seu próprio nome e do deslocamento cultural de um protagonista nascido nos Estados Unidos e filho de indianos.

A narrativa logo no início nos apresenta os conflitos socioculturais vividos por Ashima e Ashoke, um jovem casal indiano que muda para os EUA em busca de melhores oportunidades. Uma dessas diferenças culturais define todo percurso do livro e se relaciona a escolha do nome do primeiro filho do casal. Acontece que na tradição bengali, os bebês recebem dois nomes, um oficial e uma espécie de apelido (doknam) que é utilizado apenas por familiares e amigos. E isso significa que a criança pode ficar os primeiros anos sem um "nome bom" (o oficial) até que seus pais escolham um nome adequado. Mas nos Estados Unidos as crianças já saem da maternidade com o nome oficial e devido ao atraso da carta da avó de Ashima - que tinha ficado responsável por escolher o nome - o recém nascido recebe o nome de Gógol, em homenagem a Nikolai Gógol - escritor favorito de Ashoke.

Seguimos Gógol desde a infância até os trinta e poucos anos. E acompanhamos o protagonista, que nunca se sentiu confortável com seu nome, tentar traçar as fronteiras do seu próprio eu em uma busca incansável de sentido entre possuir um nome russo, ser norte-americano e filho de pais indianos. Essa busca, muitas vezes egoísta, dá-se tanto na suas relações pessoais como profissionais e até mesmo em afastamentos e na negação da cultura de seus pais. A prosa leve e sem sentimentalismos vai muito além das questões socioculturais enfrentadas pelos imigrantes, o livro trata dos ciclos de uma vida. E em muitos desses ciclos todos nós somos Gógol. Demoramos a amadurecer, a nos reconhecer e aceitar quem verdadeiramente somos.

Toda a jornada do personagem e muito interessante e reveladora, mas foi sua fase adulta que mais me cativou e ao chegar ao final dessa história fiquei com uma espécie de nostalgia e um aperto na garganta pelo próprio Gógol. Divagando após terminar a leitura não consegui parar de pensar e repensar que O Xará tem muito dos versos do Renato Russo em Pais e Filhos, para mim, especialmente "você me diz que seus pais não entendem, mas você não entende seus pais".