indicações

Indicação literária: A vida Privada das Árvores

00:24


Antes de começar a falar da indicação literária devo justificar minha ausência já que o blog passou praticamente três meses sem ser atualizado. A grande questão é que está sendo muito complicado conciliar as minhas atividades do mestrado com qualquer outra coisa na vida; e essa falta de tempo e de disposição acabou se refletindo aqui. Mas estou tentando me organizar para postar pelo menos uma vez por semana afinal eu adoro esse cantinho. Então, vamos conversar sobre o Alejandro Zambra?!

A Vida Privada das Árvores foi o segundo livro que li do autor (também já li Bonsai) e gostei bastante da narrativa e principalmente da forma como o autor nos conta essa história. O livro relata a história de uma espera. Nele, Julián, um professor de literatura e aspirante a escritor, aguarda a chegada de Verónica, sua mulher. Mas ela não chega e a espera se alonga. Junto com a enteada, a pequena Daniela, Julián distrai as horas contando histórias de árvores para a menina. Enquanto a mulher não chega, Julián recompõe na memória seu passado e, na imaginação, inventa um futuro possível no qual sua companheira já não existe.


“Tudo bem, era sem compromisso, como deve ser: ama-se para deixar-se de amar e se deixa de amar para começar a amar outros, ou para ficar sozinho, por um tempo ou para sempre. Esse é o dogma. O único dogma.” (página 70)


Literatura

Resenha: O Xará

02:01

Livro: O Xará | Autora: Jhumpa Lahiri | Editora: TAG Experiências Literárias; Biblioteca Azul | Páginas: 344 | Nota: 5 de 5

Sinopse: Gógol Ganguli tem nome russo, sobrenome indiano e um espírito dividido. Filho de imigrantes bengalis que vivem nos Estados Unidos, enfrenta desde criança a crise típica de um tempo de fronteiras instáveis e vidas em trânsito: a de não se reconhecer em nenhuma cultura ou lugar. Em meio a um constante conflito entre diferentes modos de vida - retratados na educação, na relação com os pais, na vida profissional - , Gógol Ganguli vai buscar no embate como próprio nome e nas relações amorosas um espelho no qual possa descobrir quem realmente é.
Autora vencedora do Prêmio Pulitzer de 2000, finalista do Man Booker Prize 2013 e do National Book Award 2013, Jhumpa Lahiri se consagra como um dos maiores destaques da nova literatura de língua inglesa.





Comentários

Quais são as fronteiras que nos definem? Que experiências nos moldam? Que memórias ficam impregnadas em nós? O que é nosso? O que herdamos? Quantas viagens são necessárias para nos encontramos? Em O Xará, Jhumpa Lahiri sutilmente escancara a jornada de Gógol em busca de sua identidade a partir do embate com o seu próprio nome e do deslocamento cultural de um protagonista nascido nos Estados Unidos e filho de indianos.

A narrativa logo no início nos apresenta os conflitos socioculturais vividos por Ashima e Ashoke, um jovem casal indiano que muda para os EUA em busca de melhores oportunidades. Uma dessas diferenças culturais define todo percurso do livro e se relaciona a escolha do nome do primeiro filho do casal. Acontece que na tradição bengali, os bebês recebem dois nomes, um oficial e uma espécie de apelido (doknam) que é utilizado apenas por familiares e amigos. E isso significa que a criança pode ficar os primeiros anos sem um "nome bom" (o oficial) até que seus pais escolham um nome adequado. Mas nos Estados Unidos as crianças já saem da maternidade com o nome oficial e devido ao atraso da carta da avó de Ashima - que tinha ficado responsável por escolher o nome - o recém nascido recebe o nome de Gógol, em homenagem a Nikolai Gógol - escritor favorito de Ashoke.

Seguimos Gógol desde a infância até os trinta e poucos anos. E acompanhamos o protagonista, que nunca se sentiu confortável com seu nome, tentar traçar as fronteiras do seu próprio eu em uma busca incansável de sentido entre possuir um nome russo, ser norte-americano e filho de pais indianos. Essa busca, muitas vezes egoísta, dá-se tanto na suas relações pessoais como profissionais e até mesmo em afastamentos e na negação da cultura de seus pais. A prosa leve e sem sentimentalismos vai muito além das questões socioculturais enfrentadas pelos imigrantes, o livro trata dos ciclos de uma vida. E em muitos desses ciclos todos nós somos Gógol. Demoramos a amadurecer, a nos reconhecer e aceitar quem verdadeiramente somos.

Toda a jornada do personagem e muito interessante e reveladora, mas foi sua fase adulta que mais me cativou e ao chegar ao final dessa história fiquei com uma espécie de nostalgia e um aperto na garganta pelo próprio Gógol. Divagando após terminar a leitura não consegui parar de pensar e repensar que O Xará tem muito dos versos do Renato Russo em Pais e Filhos, para mim, especialmente "você me diz que seus pais não entendem, mas você não entende seus pais".




Carnaval

Resultado da maratona literária de carnaval

19:04

Pinterest

Em 2017 me propus a realizar, pela segunda vez, a maratona literária Pra Ver a Banda Passar cujo grande objetivo é adiantar minhas leituras. Apesar de não ter alcançado tudo que pretendia, devido a alguns imprevistos, o feriado me trouxe um gás enorme e algumas coisas bem legais foram lidas durante esses dias.

A maratona aconteceu entre a sexta-feira, 24 de fevereiro, e a quarta-feira de cinzas (1° de março) e durante esse período eu consegui:

1- Iniciar e finalizar a leitura de Bidu Caminhos: 84 páginas
2 - Iniciar a leitura de O Conde Enfeitiçado: 16 capítulos (197 páginas)
3- Iniciar a leitura de A Casa das Marés: 1 capítulo (33 páginas)

Ao todo foram 314 páginas lidas e apesar de não ter conseguido avançar tanto em A Casa das Marés e de não ter encostado em David Copperfield fiquei muito contende por ter dedicado uma boa parte do meu carnaval aos livros.


Carnaval

Maratona literária: Pra ver a banda passar #2

22:49



Já está todo mundo em clima de carnaval e aqui no Relicário isso significa que vamos colocar os pés pra cima e adiantar as leituras atrasadas. Porque a gente sempre tem leitura atrasada e pensando nisso ano passado resolvi criar a maratona Pra Ver a Banda Passar com o intuito de aproveitar o feriado para ler mais. 

A novidade deste ano é que a Fran do Universo Literário se juntou a folia e para coisa ficar bem dinâmica resolvemos criar quatro categorias e a partir delas criarmos as metas pessoais sem a pretensão de finalizar nenhuma leitura durante esse período.


Categoria 1: Um romance de época
Livro escolhido: O Conde Enfeitiçado (Julia Quinn)

Categoria 2: Uma HQ
Livro escolhido: Bidu Caminhos

Categoria 3: Uma leitura já em andamento
Livro escolhido: David Copperfield (Charles Dickens)

Categoria 4: Um livro encalhado na estante há mais de um ano
Livro escolhido: A Casa das Marés (Jojo Moyes)

A segunda edição da maratona Pra Ver a Banda Passar tem início nesta sexta-feira, 24 de fevereiro, e termina na quarta-feira de cinzas (1° de março).


Literatura

Novos na estante - Janeiro 2017

22:02


O início do ano foi um verdadeiro ‘flop’ na minha grande meta de só comprar livros em novembro (em função das promoções da Black Friday) e a grande responsável pelo descontrole literário foi a Amazon. Ao todo eu fiz três pedidos e comprei exatos 12 livros, mas em minha defesa devo dizer que os descontos valeram a pena.

A primeira compra aconteceu durante a promoção em comemoração ao dia do leitor ainda no início de janeiro. Nela adquiri As Intermitências da Morte do José Saramago, Só Garotos da Patti Smith e Bidu Caminho da coleção Graphic MSP.


Em uma semana especial Cosacnaify que coincidiu com um cupom de desconto para livros do grupo Companhia das Letras eu comprei o Novembro de 63 do Stephen King - que já estava na minha lista de desejados há anos - e o No Mar do Toine Heijmans.


E por fim, na loucura que foi o aniversário de quatro anos da Amazon Brasil com mais de uma semana de promoções eu adquiri sete livro. Um kit com cinco livros da Agatha Christie, O Ano que te conheci da Cecelia Ahern e Os Funerais da Mamãe Grande do Gabriel García.


Além das comprinhas recebi em janeiro minha primeira caixinha da TAG cujo livro foi Vidas e Proezas de Aléxis Zorbás.
 


American Crime Story

Está na hora de assistir American Crime Story

23:56


Em um mundo apavorado pelos spoilers é no mínimo louvável construir uma série cujo final o mundo inteiro já conhece. Esse foi o desafio cumprido com honras pelo Ryan Murphy, produtor de American Crime Story, ao apresentar em 10 episódios o “julgamento do século” que levou o ídolo do futebol americano, O.J Simpson, ao banco dos réus pelo homicídio de sua ex-esposa, Nicole Brown, e do amigo dela, Ronald Goldman.

Longe de ser uma narrativa dos tribunais, American Crime Story: O povo contra O.J Simpson explora todo o contexto que envolveu o julgamento durante mais de um ano. A estratégia da promotoria, as manobras da defesa, o cansaço do júri, racismo, sensacionalismo da mídia, falhas da polícia de Los Angeles e como tudo meio que culminou na absolvição do réu que tinha contra si um caso bem construído pela promotoria.



Além de apresentar a história a partir de múltiplos ângulos, a série também acertou na seleção do elenco com super destaque para Sarah Paulson, no papel da promotora de justiça Marcia Clark. Sarah nos apresenta uma mulher forte lidando com a pressão de ter sob sua responsabilidade um dos maiores casos da justiça norte-americana da década de 1990, e ao mesmo tempo sendo alvo de comentários machistas e misóginos pulverizados durante a maior parte da cobertura midiática do caso e até pelos próprios advogados da defesa. Confesso que cheguei a me emocionar com muitas dessas cenas em que a promotora vê sua capacidade atacada por fatores incrivelmente irrelevantes, como por exemplo seu corte de cabelo, suas roupas e suas funções enquanto mãe.

Outro destaque fica por conta de Courtney B. Vance no papel de Johnnie Cochran, um dos advogados de defesa de O.J. Seu personagem intensifica um dos planos de fundo da série que é o forte racismo da sociedade norte-americana e como essas noções contaminam as instituições políticas e policiais. O preconceito racial é uma chaga que a sociedade norte-americana parece estar longe de superar e toda a dimensão desse problema social apresentado na série nos dá alguns sacolejos e nos apresenta também a perspectiva daqueles que sofrem com as ofensas e com a discriminação diariamente.



O. J Simpson é interpretado por Cuba Jr. que tem o melhor da sua atuação no segundo episódio “The run of his life”, mas no geral seu personagem é bem mediano. Robert Kardashian, amigo pessoal e advogado de Simpson - e pai da Kim, Kloe, Khourtney e Rob-, é interpretado por David Schwimmer, que para mim torna seu personagem mais interessante a partir do momento em que passa a viver o conflito entre duvidar que seu amigo de tanto tempo pudesse ter cometido os crimes e acreditar que as evidências da polícia eram fortes demais para serem ignoradas. O elenco conta ainda com John Travolta e Sterling K. Brown.

A primeira temporada da série é uma adaptação do livro The Run of His Life — the People vs. O. J. Simpson e ganhou 10 Emmys e dois Globos de Ouro. Os episódios estão disponíveis no catálogo da Netflix.